segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Encontros da Escola Intercultural

06–09-2011 – 1º Encontro  – Debate de Ideias/Propostas várias/Continuidade do trabalho
14-11-2011 - 2ºEncontro  –   Apresentação do Blog. Conceito(s) de Interculturalidade
19-04–2012 – 3º Encontro  - Educação e Diversidade Cultural
14-06-2012 - 4º Encontro  – Divulgação da experiência intercultural na escola EB1 da Madalena
06-12-2012 - 5º Encontro  – O Confronto de Ideias na Sala de Aula


O Confronto de Ideias na Sala de Aula

5º Encontro do grupo para a Escola Intercultural, SPGL, 6-12-2012

Escola Intercultural teve a sua primeira iniciativa deste ano letivo em 6 de Dezembro, no espaço António Borges Coelho, na sede do SPGL.
O encontro, que reuniu onze participantes entre escolas e instituições, teve como tema O Confronto de Ideias na Sala de Aula e foi dinamizado por Ana Cruz e Ana Rita Alves da associação SOS Racismo.
O debate de ideias – que se seguiu a uma primeira atividade em torno de preconceitos, estereótipos e valores – desenvolveu-se à volta de duas questões escolhidas pelos presentes: se Portugal é ou não um país que acolhe bem os imigrantes e de que modo a escola contribui para abrir o debate sobre racismo.
O papel da escola esteve, naturalmente, no centro de grande parte das intervenções, destacando-se, quer os alertas para a necessidade de mudança, quer a afirmação da capacidade dos professores de uma intervenção direta. “O poder de mudança está nas nossas mãos”, como foi sublinhado por alguns intervenientes.



Estiveram presentes 11 participantes, envolvendo escolas e instituições.

Escolas:
EB1 da Madalena;
EB2.3 Padre Cruz
EB1 Sofia Melo Breyner – Amadora
EB2,3 D. Francisco Manuel de Melo – Amadora
EB2,3 Alto do Lumiar

Entidades: SPGL; SOS Racismo; Fundação Agha Kan




Despertar para o debate
De modo a despertar para o debate, foi organizada uma actividade entre os presentes. Em paredes opostas foram colocados duas tarjetas: Concordo e Não concordo. Os participantes teriam que se posicionar numa linha imaginária entre esses dois pontos (mais próximos ou mais afastados, de acordo com as suas opiniões), à medida que ouviam algumas frases que representavam estereótipos, preconceitos ou valores sociais sobre ciganos, homossexuais, pessoas com deficiência, imigrantes, papel da escola, entre outras. Pontualmente era solicitado aos presentes que justificassem o seu posicionamento.

O DEBATE DE IDEIAS

Seguiu-se um debate de ideias centrado em dois temas escolhidos pelos presentes:
·         Será Portugal um país que acolhe bem os imigrantes?
·         A escola contribui para abrir o debate sobre racismo?

Algumas questões e conclusões:
 - O acolhimento das diferentes culturas nas várias estruturas políticas e sociais no nosso país; o que é a integração?
 - Necessidade(s) de formação inicial e contínua de  professores;
 - Ajudar a desconstruir estereótipos no sistema de ensino português;
 - A relação entre professores e crianças e jovens de várias nacionalidades é mutuamente enriquecedora;
 - Os professores podem contribuir para a mudança se reconhecerem a necessidade de mudança;
 - A urgência da ruptura no revisionismo da História de Portugal;
 - A dificuldade de conceptualizar a integração dos outros que são diferentes de nós;
 - A mudança tem que ser feita também no plano económico e político;
 - A diferença tem base étnica, mas também de género, religiosa, social, entre outras.
 - A necessidade de ter em conta a dimensão ideológica dos currículos;
 - Um trabalho em contracorrente: reconhecer a necessidade de mudança. Para transformar e exigir
 - A importância do espírito crítico


Foi proposto um próximo debate com o tema Análise dos manuais escolares.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Preparemos o novo ano



Reunião sobre Balanço e perspetivas


11-7-2012



Balanço


Com uma vigência de cerca de 1 ano, o projeto Escola Intercultural desenvolveu iniciativas diversificadas e muito positivas, ainda que com uma participação oscilante.

Uma das grandes prioridades, no próximo ano lectivo, é o envolvimento das pessoas para além da sua participação pontual



 - Atividades realizadas:

  

   . 1º Encontro – 6/9/2011 

        (19 participantes)

       

         Breve reflexão sobre o conceito de interculturalidade e o trabalho desenvolvido, nesse âmbito, nas escolas

       

         Propostas apresentadas:



  - Formação de grupos de trabalho para pesquisa e reflexão

  - Análise dos currículos e manuais escolares

  - Divulgação de estudos e recursos para escolas

  - Divulgação de experiências

  - Construir rede

  - Dispor de um “menu de intervenções” para apoiar as escolas

- Debates: Entre a diferenciação e a normalização; Conceito(s) de interculturalidade – repensar paradigmas e princípios orientadores; A importância da gestão escolar

 - Criação de um blog para divulgação e troca de experiências



 . 2º Encontro – 14/11/2011

      (13 participantes)         



      Blog: Apresentação de um primeiro esboço de um blog para divulgação e troca de experiências.

    Debate em torno do(s) conceito(s) de interculturalidade:

·         Minorias/Maiorias/Eurocentrismo

·         Preconceito/Estereótipo/Tolerância

·         Sociedades multiculturais/Sociedades interculturais

·         Política de assimilação/Política de integração





. 3º Encontro – 19/4/2012             

   (cerca de 50 participantes)



     Debate dinamizado por Luiza Cortesão sobre “Educação e diversidade cultural”




. 4º Encontro – 14/6/2012

   (cerca de 10 participantes)



     Divulgação da experiência de trabalho intercultural da Escola Básica de 1º Ciclo da Madalena (alunos de 15 nacionalidades), conjuntamente com os parceiros envolvidos: Centro em Movimento (CEM) e Edifício Manifesto.





Construção do blog – esc.intercultural

Divulgação de materiais e troca de experiências (reforço da rede).

Até à data o blog tem constituído exclusivamente um veículo de divulgação das sínteses dos encontros realizados.





Perspetivas



 - Criação de parcerias, formais e informais, com entidades ligadas a esta temática

A considerar, nomeadamente, Federação Friedrich Ebert; Fundo Europeu para a Integração de Nacionais de Países Terceiros; Programa Escolhas e Entreculturas (ACIDI); Universidades; Associações com trabalho desenvolvido nesta área – Moinho da Juventude (Cova da Moura); AJEB (Quinta do Mocho); Centro em Movimento. Entre outros.



 - Atividades para o próximo ano letivo

  - Realização de iniciativas e sessões em torno de diferentes temas.

  - Organização de um grupo de professores e outras pessoas motivadas para divulgação e dinamização de atividades do projeto nas escolas e junto de diferentes entidades (nomeadamente através de contatos pessoais)

 Propostas (para calendarização):

 - Análise de currículos e de manuais escolares

 - Percurso intercultural ao ar livre (com envolvimento direto de uma escola)

 - Exposição de fotografia



- Dinamização do blog

    - Criação de uma equipa de trabalho (eventualmente rotativa) para atualização do blog, divulgação de experiências e iniciativas, sugestões de leituras, divulgação de materiais

    - link para site do SPGL







terça-feira, 19 de junho de 2012

EB1 da Madalena: Respeitar as diferenças

O último encontro, este ano letivo, da Escola Intercultural, realizado dia 14 de Junho da sede do SPGL, foi um significativo momento de divulgação da rica experiência da Escola Básica de 1º Ciclo da Madalena. Um primeiro momento, a que certamente outros se seguirão, de partilha de processos de trabalho entre várias escolas com projetos de interculturalidade.

Neste encontro, a Escola Básica de 1º Ciclo da Madalena apresentou – conjuntamente com os vários parceiros envolvidos – o projeto educativo que tem vindo a desenvolver desde há 3 anos a esta parte. Presentes estiveram, para além da equipa de professoras da escola, elementos do CEM (Centro em Movimento) e Edifício Manifesto – parceiros ativos e empenhados em todo este processo.
A apresentação assumiu a forma de um diálogo animado, também entre os próprios intervenientes no projeto, que deram testemunho das várias abordagens e do intenso e trabalho realizado com as crianças.

Um mundo espelhado numa pequena escola

A EB1 da Madalena junta alunos de 15 nacionalidades. A mesma diversidade não se aplica no que respeita à pertença social: 80% dos alunos inscrevem-se nos escalões A e B, o que corresponde a famílias muito carenciadas., e muitos meninos chegam de manhã à escola sem terem tomado o pequeno-almoço.
Mas o clima que impera na escola é de entusiasmo. De paixão – que, nas palavras de uma das professoras, é o que marca “a diferença entre ser muito bom e ser extraordinário”.
“Sentimos aquilo como um pedaço de nós” e, a braços com tanto trabalho, a sensação é “de estar cansadas mas muito felizes”. Porque “mudamos a vida daquelas crianças, que cresceram enquanto pessoas” – que é o que verdadeiramente importa.
Como base de toda a filosofia pedagógica e de inter-relacionamento, um ponto de honra: respeitar as diferenças de cada um.
É nesta mesma lógica que se insere o trabalho dos parceiros presentes (um trabalho que é para continuar), que têm desenvolvido com estas crianças uma multiplicidade de projectos e experiências. Com a preocupação de “promover experiências diferentes, mesmo com a crise”.
Porque, “o que importa são as pessoas que habitam os espaços”. E é sempre possível fazer magia, “apesar da uniformidade que o MEC tenta impor”.
Do trabalho desenvolvido por estes parceiros insubstituíveis – o CEM e o Edifício Manifesto – daremos nota alargada no nº de Setembro da EI.
Para já, vale a pena consultar os seus sites e blogues:

Lígia Calapez

segunda-feira, 11 de junho de 2012


O próximo encontro da Escola Intercultural é já nesta 5ª feira!

O próximo encontro da Escola Intercultural terá lugar dia 14 de junho, 5ª feira pelas 17:00 horas, na sede do SPGL.
Neste encontro, a Escola Básica de 1º Ciclo da Madalena irá apresentar - conjuntamente com os vários parceiros envolvidos – o projeto educativo que tem vindo a desenvolver desde há 3 anos a esta parte.
O objetivo desta apresentação é partilhar as experiências inerentes aos processos de trabalho que enformam este projeto educativo.
Este será um 1º momento, a que certamente outros se seguirão, de partilha de processos de trabalho entre várias escolas com projetos de interculturalidade.
Estão todos convidados a participar neste encontro.
Desde já agradecemos a vossa presença.

quarta-feira, 2 de maio de 2012




Conferência “Educação e Diversidade Cultural”
(um contributo alargado)

A Conferência sobre “Educação e Diversidade Cultural” foi realizada no dia 19 de Abril de 2012, pelas 16H, no Auditório da SPGL.

Luíza Cortesão, oradora da conferência, foi apresentada a cerca de 50 participantes por António Avelãs, presidente do SPGL.

A sua exposição centrou-se em três aspetos, mantendo um diálogo com os presentes:

1.       Fontes de diversidade

2.       Como são encarados

3.       Tipos de trabalho para enriquecer a diversidade





A profissão de professor é exercida sobre o fio da navalha

Questões colocadas pela oradora:

  • Serão os alunos todos iguais?
  • Terão todos as mesmas bases?

Foram apresentados alguns dados para ajudar à reflexão:

1.       Taxas de retenção e desistência no 1º ciclo em várias regiões do país (O Algarve apresenta uma maior incidência e o Norte do país menor taxas);

2.       Taxas de retenção e desistência no 1º ciclo segundo a natureza dos estabelecimentos (o ensino público com maior taxa);

3.       Taxas de retenção e desistência no 1º ciclo segundo o sexo (os rapazes com maior incidência);

4.       Taxas de sucesso segundo o fator económico (as 10 melhores médias são encontradas nos colégios e externatos);

5.       Taxa de analfabetos nos jovens entre os 10 e 14 anos no Brasil segundo a cor da pele (menor na população branca);

6.       Escolha da profissão, no Brasil, segundo a variante da origem do aluno, salário familiar e grau de escolaridade da mãe (filhos de família brancas com desafogo financeiro e com mães com graus académicos superiores tendem a escolher profissões como médicos, advogados, etc.);

7.       Relação entre proficiência e o nível socioeconómico (a proficiência elevada corresponde a um nível socioeconómico elevado).


A escola não pode continuar a ser a “caixa negra” que não se analisa”

 
Foram apresentadas alguns conceitos para serem debatidos:

  • Existência da diversidade na organização escolar;
  • Cultura e culturas;
  • Saberes escolarmente rentáveis;
  • Violência simbólica;
  • Capital cultural;
  • Violência de recontextualização;




A indisciplina é um sintoma

Que podemos nós, professores, fazer?

Reflexão sobre dois tipos de práticas pedagógicas:

Práticas empoderadoras
Práticas domesticadoras
Pedagogia da interação recíproca.
Pedagogia transmissiva.
Avaliação orientada para o apoio.
Avaliação orientada para a legitimação do processo.
Participação da comunidade.
Exclusão da comunidade.
Língua e cultura incorporados.
Língua e cultura excluídos.



Algumas estratégias para o desenvolvimento de práticas educativas não discriminatórias:

·         Ter uma atitude de questionamento sobre o papel do professor;

·         Evitar atividades educativas que resultem em processos de discriminação socioeducativa dos alunos;

·         Estar disposto a alterar, a qualquer momento, as suas práticas;

·         Questionar sempre as suas “certezas” e rotinas;

·         Ser sensível à diversidade socioeconómica e cultural com quem se trabalha;

·         Procurar conhecer os alunos, as suas raízes culturais, os seus interesses, os seus problemas, o contexto em que vivem;

·         Ser capaz de conceber métodos de trabalho e materiais que tornem o ato de aprender significativo para quem aprende;

·         Transformar os alunos em parceiros da construção do saber.



O arco-íris na sala de aula


O professor daltónico cultural não consegue ver o arco-íris cultural na sua sala de aula.