quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Balanço de atividades do Grupo Escola Intercultural - 2017/2018


De forma a contextualizar um balanço de atividades do Grupo Escola Intercultural - GEI, convém recordar que este projecto, promovido pelo SPGL, tem como objetivos:
1) Dinamizar e divulgar práticas e projetos interculturais nas comunidades educativas.
2) Refletir e aprofundar as diferentes vertentes da interculturalidade.
3) Criar rede entre experiências e projetos nesta área.

Com início em Setembro de 2011 – com um interregno de 2 anos - o GEI tem vindo a realizar encontros em torno dos conceitos de interculturalidade e visitas guiadas a bairros com uma forte presença de outras culturas.
Só iremos reportar as iniciativas do último ano lectivo. Assim em 2017
  • A 4 de março, cerca de três dezenas de professores visitaram o bairro Cova da Moura com o propósito de mostrar que a realidade do bairro é muito diferente daquela que os media passam. A visita foi dinamizada por responsáveis do projecto SABURA (em crioulo significa apreciar o que é bom). Este projecto foi implementado pela Associação Cultural Moinho da Juventude. O almoço decorreu num restaurante típico e à tarde assistiu.se à atuação do grupo de batuque “Finka-pé” formado somente por mulheres cabo-verdianas.
  • A 16 de Abril, foram efetuadas visitas guiadas às galerias de arte urbana da Quinta do Mocho e da Quinta da Fonte. Na Quinta do Mocho os professores (embora em número reduzido) tiveram a oportunidade de conversar com o coordenador do Projecto Esperança (financiado pelo Programa Escolhas) de modo a conhecer as valências existentes para apoio de crianças e jovens no bairro.
  • A 20 de abril, Maria Helena Barreto dinamizou no SPGL uma sessão sobre A Integração de Crianças Indianas na Escola Portuguesa: quem são e como aprendem. Maria Helena Barreto, docente e investigadora nasceu em Goa, Índia, e é professora do 1º ciclo no Agrupamento de Escolas de Outorela. Professora associada no Movimento da Escola Moderna tem realizado comunicações em território nacional e elaborado projetos visando o acompanhamento e capacitação de alunos com perturbações na aprendizagem. A sua tese de mestrado, com especialização em Análise e Intervenção em Educação, versou sobre a integração de crianças indianas na Escola Portuguesa.
  • A 25 de maio, Jorge Cardoso da Rede Educação para a Cidadania Global, desenvolveu a seguinte temática Como Lidar com a Diversidade. Que Caminhos Possíveis? Jorge Cardoso, licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE - IUL, fez uma pós-graduação em Desenvolvimento Social e Económico em África pela mesma Universidade. Tem participado na implementação de diversos projetos na área da Educação para o Desenvolvimento/Educação para a Cidadania Global. Antes foi coordenador da rede nacional de Centros Locais de Apoio à Integração de Imigrantes (CLAII) e técnico no Gabinete de Apoio Técnico às Associações de Imigrantes, ambos no então, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI). Integrou a equipa de investigação do projeto “Migrações Forçadas e Formatos de Intervenção Humanitária”, do Centro de Estudos Africanos do ISCTE-IUL, e foi voluntário durante dois anos em Moçambique, lecionando e trabalhando em projetos de Desenvolvimento.
  • A 5 de novembro, o GEI promoveu uma visita guiada à Mouraria (num circuito sobre os povos e culturas que a moldaram e/ou aí habitam). Esta visita teve o acompanhamento de um elemento da Associação Renovar a Mouraria através das ruas e vielas do bairro, destacando a mistura de culturas aí existentes.

Recordemos as acções do GEI no ano de 2018
  • A 25 de janeiro, o mediador e dinamizador comunitário na Quinta do Mocho, Sacavém foi convidado para nos dar Um Olhar sobre a Quinta do Mocho. Kedy Santos, licenciado em Engenharia Química, participa no acompanhamento lúdico e pedagógico de jovens e famílias e na mediação de conflitos escolares e de bairro. Co-fundador e dirigente da associação de jovens AJEB (Associação de Jovens Estrelas do Bairro), e também é formador da Academia Ubuntu. Membro do grupo de música Império Suburbano.
  • A 21 de abril foi realizada mais uma visita guiada à galeria de arte pública na Quinta do Mocho. Incluiu, ainda, um encontro com o Projeto Esperança, financiado pelo Programa Escolhas.
  • A 8 de Junho, foi realizado um encontro sobre As Crianças Ciganas no Sistema Educativo Português A dinamizadora, Luísa Lobão Moniz, é licenciada em Educação na área de Animação Sociocultural; o seu mestrado versava as Relações Interculturais. Doutorou-se no ramo de Educação, na especialidade Educação/ Interculturalidade. Trabalhou os Direitos da Criança na Comissão de Protecção de Menores da Zona Oriental de Lisboa. Foi responsável pelo projeto Entreculturas e Coordenadora do projeto TEIP no Agrupamento de Escolas Damião de Góis. Membro do Conselho Pedagógico do Centro de Formação António Sérgio. Responsável pela elaboração, candidatura e concretização do projeto do Programa Escolhas para o Bairro do Armador em Chelas, Lisboa. Destacada no IAC/ SOS Criança, responsável pelo projeto “Bom dia, SOS Criança”. Foi ainda coordenadora do projeto “Ir à Escola”, para alunos de etnia cigana.
  • A 29 de Setembro, em parceria com o Departamento de Professores Aposentados, as galerias de arte urbana da Quinta do Mocho e da Quinta da Fonte receberam a visita de cerca de 40 pessoas, algumas ligadas ao ensino. Assistiu-se à apresentação de um projecto artístico e cultural, Teatro IBISCO (Teatro Inter Bairros para a Inclusão Social e Cultura do Otimismo), sediado no Centro Comunitário da Quinta da Fonte. Dois jovens artistas representaram um hilariante conto africano “Homi ma mufunado na mundo” (O homem mais azarado do mundo).
  • A 25 de Outubro, em parceria com o Departamento dos Professores Aposentados, realizou-se uma visita guiada para 30 professores à Biblioteca Nacional e à exposição “As mil e uma noites em Portugal”, promovida pela Área das Ciências e Religiões, da Universidade Lusófona.

Em 2019 teremos mais iniciativas. Estejam atentos!

Sílvia Baptista

Publicado na Escola Informação de janeiro de 2019

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

CRIAR REDE


Por iniciativa do Grupo Escola Intercultural, do SPGL, vai-se realizar - dia 8 fevereiro, pelas 15h, no SPGL - um encontro informal com alguns professores. A ideia é CRIAR REDE – de forma informal – entre escolas com interesse e/ou prática ou projetos implementados em educação intercultural.

Apareçam!

Contacto: esc.intercultural@gmail.com

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Visita A ARTE CONTRA A DISCRIMINAÇÃO



https://www.facebook.com/Teatro-Ibisco-1454852464813595/

Sofia Vilarigues
 Sofia Vilarigues
                                                                        Sofia Vilarigues
                                                                       Sofia Vilarigues

Momentos e imagens da visita organizada pelo Grupo Escola Intercultural e Departamento de Professores Aposentados do SPGL à Quinta do Mocho e à Quinta da Fonte no passado dia 29 de Setembro.

domingo, 23 de setembro de 2018

A ARTE CONTRA A DISCRIMINAÇÃO


O Grupo Escola Intercultural e Departamento de Professores Aposentados, promovidos pelo SPGL, organizam no dia 29 de setembro de 2018, pelas 10h, uma visita guiada à Galeria de Arte Pública na Quinta do Mocho. Segue-se um almoço típico de comida africana e um espectáculo de teatro, na Quinta da Fonte, na Apelação. Uma oportunidade única para se conhecer realidades – diversas e ricas - que em geral se mantêm ocultas, sob o manto do estigma e do gueto.

A Quinta do Mocho, bairro situado a norte de Sacavém, concelho de Loures, alberga cerca de 2800 moradores e a Quinta da Fonte, na Apelação, com cerca de 2500 moradores, são, por excelência, palcos de uma diversidade de culturas provenientes maioritariamente dos países de expressão portuguesa e da etnia cigana.

O Teatro Ibisco e a Câmara Municipal de Loures organizaram dois festivais “O Bairro i o Mundo” na Quinta da Fonte em 2013 e no Bairro da Quinta do Mocho em 2014. Desses eventos nasceram galerias de Arte Urbana nos respetivos bairros, visitados por alunos de vários graus de ensino, universidades, instituições, visitantes nacionais e estrangeiros.

“Mostrar o bairro ao mundo e trazer o mundo ao bairro” era o mote destes Festivais que deram origem a galerias de arte a céu aberto com mais de 60 empenas de prédios pintadas por artistas nacionais e estrangeiros.

Nesta visita assistiremos a uma peça de teatro, com jovens artistas de ambos os bairros, promovida pelo Teatro IBISCO (Teatro Interbairros para a Inclusão Social e Cultura do Otimismo), uma associação criada há 8 anos como projeto artístico e cultural para a inclusão de jovens de algumas zonas mais problemáticas do concelho de Loures.

10h00 - Ponto de encontro: Urbanização Terraços da Ponte, Casa de Cultura de Sacavém.
Visita à Galeria da Quinta do Mocho.
13h00 - Almoço: Cachupa (prato de Cabo-Verde: milho, feijão, batata doce, couves, carne e enchidos). Caldo de mancarra (prato da Guiné: frango, molho de amendoim); Prato de peixe grelhado ou prato vegetariano ou outro à escolha. Bebidas incluídas.
NOTA: é necessário escolher previamente o prato
15h00 - Saída para a Quinta da Fonte
Apresentação do projecto Teatro IBISCO, no Centro Comunitário da Quinta da Fonte.
16h00 - Apresentação de “Homi ma mufunado na mundo” (O homem mais azarado do mundo) - representação por jovens do Teatro Ibisco.
Preço: 20€
Inscrições: até 26/9 (quarta-feira). Deverá ser indicado o prato que se deseja no ato de inscrição.

Contactos:
Sílvia Baptista. Tlm: 914 127 589 / Mail: silviabap@gmail.com

segunda-feira, 11 de junho de 2018

“O que é ser cigano”


O Grupo Escola Intercultural, promovido pelo SPGL, organizou no passado dia 8 de junho uma sessão sobre crianças ciganas inseridas no sistema educativo português, com Luísa Lobão Moniz.
Luísa Lobão Moniz tem um vasto currículo. Curso do Magistério Primário, licenciatura em Educação na área de Animação Sociocultural, mestrado em Relações Interculturais, doutoramento no ramo de Educação, na especialidade Educação/ Interculturalidade. Foi diretora e coordenadora de uma escola do 1ºciclo. Trabalhou os Direitos da Criança na Comissão de Protecção de Menores da Zona Oriental de Lisboa. Foi responsável pelo projeto Entreculturas e Coordenadora do projeto TEIP no Agrupamento de Escolas Damião de Góis. Membro do Conselho Pedagógico do Centro de Formação António Sérgio. Responsável pela elaboração, candidatura e concretização do projeto do Programa Escolhas para o Bairro do Armador em Chelas, Lisboa. Destacada no IAC/ SOS Criança, responsável pelo projeto “Bom dia, SOS Criança”. Foi ainda coordenadora do projeto “Ir à Escola”, para alunos de etnia cigana.
“Os meninos ciganos são vítimas de uma representação que as pessoas têm”, afirmou a oradora a iniciar a sua apresentação.
Depois da passagem de um curto vídeo pondo em causa comportamentos e preconceitos, Luísa Lobão Moniz falou sobre representações.
“As representações sobre as pessoas começaram a ser estudadas porque as maiorias tinham uma maneira de se comportarem com as minorias”, esclareceu.
1895 é a data em que se começou a pensar em representações e em 1898 “Durkheim começou a falar de representações sociais”.
“São os conceitos que temos de organizações e pessoas que fazem o nosso comportamento perante elas”, elucidou Luísa Lobão Moniz, avançando que a representação contempla 3 aspetos ou conteúdos: a informação, a atitude e o campo de representação.
“As Representações Sociais não são imutáveis”, considerou, dando como exemplo que “a escola transmissiva foi dando lugar à escola construtiva e, pode-se, então, intuir que as representações de escola também foram mudando nos seus atores, nomeadamente nos alunos”.
Há também qual a representação que tenho de mim, afirmou. “Como sou perante estes preconceitos, eu aceito o que os outros dizem ou eu tento desmontá-los”. “O preconceito surge pela diferença”, mas “se todos formos eu e um bocadinho do outro é muito mais fácil nós vivermos como nós e não como eu e o outro”, avaliou.
“A partir do momento em que está feita uma representação nós vamos criar situações que digam que a representação está certa”, concluiu.
Luísa Lobão Moniz deu também a conhecer os símbolos ciganos. Como o pentagrama que simboliza o Homem Integral ou a roda ou a chave que simboliza as soluções ou a ferradura que simboliza energia e sorte.
A finalizar a oradora apresentou um trabalho, um grande livro, feito nos anos 90, com um mediador cigano formado pela antiga Direcção do Ensino Básico do Ministério da Educação, que teve formação para ir para as escolas trabalhar com as famílias ciganas e com as famílias não ciganas. “Foi pedido aos meninos para que pensassem: o que é ser cigano”, introduziu. “E temos aqui alguns meninos que dizem… Cigano é como os outros. Eu gosto de ser cigano. Os ciganos gostam de cartas. Os casamentos são bonitos porque não são na rua. Têm ciganos bonitos. Quando for crescida quero usar roupas brilhantes. Quando morre uma pessoa cigana usa luto”. O livro tem também a opinião dos meninos não ciganos. “Ser cigano: uma raça diferente da nossa, 9 anos. Viver com mais necessidades, 9 anos. Viver em alegria, 10 anos. Ser negociante, 9 anos. Gostar de dançar, 12 anos. Andar de terra em terra, 9 anos”. E uma parte dedicada às diferenças e semelhanças. “O rapaz faz a barba e o cigano deixou crescer. O cigano está vestido de luto e o senhor não. Com esta idade o cigano usa chapéu. Todas as noivas vão muito bonitas para o casamento. Não conhecemos ciganas locutoras. As ciganas não usam fato de banho na praia, mas as outras senhoras usam. As ciganas não usam roupas transparentes”.
No debate falou-se das poucas referências nos manuais escolares à cultura cigana, do único livro de histórias sobre ciganos, do Pedro Sousa Tavares, e da estratégia nacional para a integração das comunidades ciganas, lançada em 2013 e que está disponível online.

Sofia Vilarigues

Publicado na Escola Informação de junho/julho de 2018

sexta-feira, 1 de junho de 2018


“Não me odeies antes de me conheceres”
(Principezinho de Saint-Exupéry)

O Grupo Escola Intercultural organiza no dia 8 de junho (sexta-feira), pelas 17h00, uma sessão sobre crianças ciganas inseridas no sistema educativo português.

A Dra. Luísa Lobão Moniz fará a apresentação do seu trabalho de investigação sobre estas crianças, a partir de algumas reflexões sobre a comunidade cigana em Portugal:

“Parece ser do consenso geral que é difícil conviver com pessoas ciganas. Mas de onde vem essa ideia?
Todos gostamos de ir às feiras porque os ciganos vendem mais barato. Mas quando chegamos a casa dizemos ‘os ciganos gostam mesmo de aldrabar’.
As crianças ciganas são um problema na escola, pois só querem bater e arranjar confusão.
O que importa é saber perceber o que é ser cigano no meio de uma sociedade maioritariamente não cigana.
Virar as páginas da história não é fácil nem para os ciganos nem para os não ciganos, mas é possível.”

Sendo um tema tão actual e sensível, convidamo-lo(a) a estar presente nesta sessão que se realizará na sede do SPGL, rua Fialho de Almeida,3
1070-128 Lisboa.
Agradecemos a sua inscrição prévia para Sílvia Baptista
Telemóvel: 914127589
Mail: silviabap@gmail.com