terça-feira, 19 de junho de 2012

EB1 da Madalena: Respeitar as diferenças

O último encontro, este ano letivo, da Escola Intercultural, realizado dia 14 de Junho da sede do SPGL, foi um significativo momento de divulgação da rica experiência da Escola Básica de 1º Ciclo da Madalena. Um primeiro momento, a que certamente outros se seguirão, de partilha de processos de trabalho entre várias escolas com projetos de interculturalidade.

Neste encontro, a Escola Básica de 1º Ciclo da Madalena apresentou – conjuntamente com os vários parceiros envolvidos – o projeto educativo que tem vindo a desenvolver desde há 3 anos a esta parte. Presentes estiveram, para além da equipa de professoras da escola, elementos do CEM (Centro em Movimento) e Edifício Manifesto – parceiros ativos e empenhados em todo este processo.
A apresentação assumiu a forma de um diálogo animado, também entre os próprios intervenientes no projeto, que deram testemunho das várias abordagens e do intenso e trabalho realizado com as crianças.

Um mundo espelhado numa pequena escola

A EB1 da Madalena junta alunos de 15 nacionalidades. A mesma diversidade não se aplica no que respeita à pertença social: 80% dos alunos inscrevem-se nos escalões A e B, o que corresponde a famílias muito carenciadas., e muitos meninos chegam de manhã à escola sem terem tomado o pequeno-almoço.
Mas o clima que impera na escola é de entusiasmo. De paixão – que, nas palavras de uma das professoras, é o que marca “a diferença entre ser muito bom e ser extraordinário”.
“Sentimos aquilo como um pedaço de nós” e, a braços com tanto trabalho, a sensação é “de estar cansadas mas muito felizes”. Porque “mudamos a vida daquelas crianças, que cresceram enquanto pessoas” – que é o que verdadeiramente importa.
Como base de toda a filosofia pedagógica e de inter-relacionamento, um ponto de honra: respeitar as diferenças de cada um.
É nesta mesma lógica que se insere o trabalho dos parceiros presentes (um trabalho que é para continuar), que têm desenvolvido com estas crianças uma multiplicidade de projectos e experiências. Com a preocupação de “promover experiências diferentes, mesmo com a crise”.
Porque, “o que importa são as pessoas que habitam os espaços”. E é sempre possível fazer magia, “apesar da uniformidade que o MEC tenta impor”.
Do trabalho desenvolvido por estes parceiros insubstituíveis – o CEM e o Edifício Manifesto – daremos nota alargada no nº de Setembro da EI.
Para já, vale a pena consultar os seus sites e blogues:

Lígia Calapez

segunda-feira, 11 de junho de 2012


O próximo encontro da Escola Intercultural é já nesta 5ª feira!

O próximo encontro da Escola Intercultural terá lugar dia 14 de junho, 5ª feira pelas 17:00 horas, na sede do SPGL.
Neste encontro, a Escola Básica de 1º Ciclo da Madalena irá apresentar - conjuntamente com os vários parceiros envolvidos – o projeto educativo que tem vindo a desenvolver desde há 3 anos a esta parte.
O objetivo desta apresentação é partilhar as experiências inerentes aos processos de trabalho que enformam este projeto educativo.
Este será um 1º momento, a que certamente outros se seguirão, de partilha de processos de trabalho entre várias escolas com projetos de interculturalidade.
Estão todos convidados a participar neste encontro.
Desde já agradecemos a vossa presença.

quarta-feira, 2 de maio de 2012




Conferência “Educação e Diversidade Cultural”
(um contributo alargado)

A Conferência sobre “Educação e Diversidade Cultural” foi realizada no dia 19 de Abril de 2012, pelas 16H, no Auditório da SPGL.

Luíza Cortesão, oradora da conferência, foi apresentada a cerca de 50 participantes por António Avelãs, presidente do SPGL.

A sua exposição centrou-se em três aspetos, mantendo um diálogo com os presentes:

1.       Fontes de diversidade

2.       Como são encarados

3.       Tipos de trabalho para enriquecer a diversidade





A profissão de professor é exercida sobre o fio da navalha

Questões colocadas pela oradora:

  • Serão os alunos todos iguais?
  • Terão todos as mesmas bases?

Foram apresentados alguns dados para ajudar à reflexão:

1.       Taxas de retenção e desistência no 1º ciclo em várias regiões do país (O Algarve apresenta uma maior incidência e o Norte do país menor taxas);

2.       Taxas de retenção e desistência no 1º ciclo segundo a natureza dos estabelecimentos (o ensino público com maior taxa);

3.       Taxas de retenção e desistência no 1º ciclo segundo o sexo (os rapazes com maior incidência);

4.       Taxas de sucesso segundo o fator económico (as 10 melhores médias são encontradas nos colégios e externatos);

5.       Taxa de analfabetos nos jovens entre os 10 e 14 anos no Brasil segundo a cor da pele (menor na população branca);

6.       Escolha da profissão, no Brasil, segundo a variante da origem do aluno, salário familiar e grau de escolaridade da mãe (filhos de família brancas com desafogo financeiro e com mães com graus académicos superiores tendem a escolher profissões como médicos, advogados, etc.);

7.       Relação entre proficiência e o nível socioeconómico (a proficiência elevada corresponde a um nível socioeconómico elevado).


A escola não pode continuar a ser a “caixa negra” que não se analisa”

 
Foram apresentadas alguns conceitos para serem debatidos:

  • Existência da diversidade na organização escolar;
  • Cultura e culturas;
  • Saberes escolarmente rentáveis;
  • Violência simbólica;
  • Capital cultural;
  • Violência de recontextualização;




A indisciplina é um sintoma

Que podemos nós, professores, fazer?

Reflexão sobre dois tipos de práticas pedagógicas:

Práticas empoderadoras
Práticas domesticadoras
Pedagogia da interação recíproca.
Pedagogia transmissiva.
Avaliação orientada para o apoio.
Avaliação orientada para a legitimação do processo.
Participação da comunidade.
Exclusão da comunidade.
Língua e cultura incorporados.
Língua e cultura excluídos.



Algumas estratégias para o desenvolvimento de práticas educativas não discriminatórias:

·         Ter uma atitude de questionamento sobre o papel do professor;

·         Evitar atividades educativas que resultem em processos de discriminação socioeducativa dos alunos;

·         Estar disposto a alterar, a qualquer momento, as suas práticas;

·         Questionar sempre as suas “certezas” e rotinas;

·         Ser sensível à diversidade socioeconómica e cultural com quem se trabalha;

·         Procurar conhecer os alunos, as suas raízes culturais, os seus interesses, os seus problemas, o contexto em que vivem;

·         Ser capaz de conceber métodos de trabalho e materiais que tornem o ato de aprender significativo para quem aprende;

·         Transformar os alunos em parceiros da construção do saber.



O arco-íris na sala de aula


O professor daltónico cultural não consegue ver o arco-íris cultural na sua sala de aula.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Educação e diversidade cultural


No fio da navalha

Trabalhar “no fio da navalha”. Esta a opção que se abre aos professores que apostam numa educação intercultural, não ignorando, simultaneamente, a necessidade de “armar as crianças com instrumentos de sobrevivência (curriculares)”. Uma das – muitas – ideias que foram surgindo ao longo do debate com Luiza Cortesão, promovido pela Escola Intercultural/SPGL , que juntou dezenas de professores de diferentes escolas e áreas, dia 19 de Abril, no auditório do SPGL.
Do muito que foi dito nesta iniciativa enriquecedora – e a que outras se seguirão – aqui nos cingimos ao essencial: O QUE É QUE OS PROFESSORES PODEM FAZER?

Uma mão cheia de dicas

O ponto de partida: “Fazer opções é muito importante. Os educadores devem indagar para quem e em benefício de quem estão trabalhando” – Paulo Freire

 - Valorizar saberes prévios

 - Aplicar práticas empoderadoras

 - Apostar na interacção

 - Utilizar avaliação formativa (orientada para o apoio). Não ignorando que também é necessário armar as crianças com instrumentos de sobrevivência (instrumentos curriculares)

 - Descobrir o “ponto de entrada” no processo de aprendizagem. A utilização de jogos no quadro dos currículos é uma opção promissora

 - Ter sensibilidade à diversidade. Não ser daltónico ao arco-íris cultural

Não esquecer nunca que:
 - É fundamental “meter um ponto de interrogação na cabeça”
 - Quem constrói os sítios são as pessoas


[Esta Conferência será tratada, de forma desenvolvida, numa próxima “Escola Informação”]

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Luiza Cortesão oradora na Conferência da Escola Intercultural




Convidam-se todos os interessados a participar na Conferência Escola Intercultural  promovida pelo SPGL, no dia 19 de Abril, às 16h, no Auditório da sede do SPGL (Rua Fialho de Almeida Nº 3 Lisboa). 

Educação e diversidade cultural - Luiza Cortesão (oradora)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Debate em torno de conceitos




Da discussão gerada, no 2º Encontro da Escola Intercultural, em torno do desafio de descodificar as palavras, surgiram as seguintes ideias:



MINORIAS / MAIORIA / EUROCENTRISMO


Os conceitos de minoria e maioria prendem-se com noções quantitativas do que é ou está em menor número ou em maior número.


Porém, em termos sociais e políticos, a minoria poderá ter a dominância política, económica, cultural e religiosa em relação ao restante da população que poderá ser em maior número. Foi considerado como exemplo mais gritante o apartheid sul-africano, em que a minoria branca dominava a grande maioria africana e a actual sociedade dos EUA.


Portanto os conceitos de minoria e maioria estão relacionados com o poder económico, político, social, religioso ou outro que algum grupo poderá ter em relação a outros que poderão co-existir em minoria ou em maioria no mesmo espaço geográfico.


Tem-se atribuído este conceito de minoria a grupos sociais mais fragilizados e sem expressão para que o grupo dominante aplique medidas desfavoráveis ou inadequadas.


O conceito de eurocentrismo foi analisado à luz dos conceitos atrás mencionados.

Os países que pertencem à Europa ocidental consideram-se o berço da civilização e o exemplo das sociedades democráticas mais desenvolvidas. Esta pertença de cariz superior vem da idade Média.

Todas as outras civilizações são encaradas como exóticas e deficitárias, inclusive os países europeus situados geograficamente no centro e este da Europa.

Foi questionado se os EUA se situam também neste paradigma eurocêntrico, não tendo o grupo chegado a nenhuma conclusão.

O eurocentrismo é sentido como uma segunda pele pela carga civilizacional, cultural e religiosa, apesar de se aceitar influências de outras culturas e civilizações.



PRECONCEITO / ESTEREÓTIPO / TOLERÂNCIA

 
Preconceito – ideia pré-concebida (pouco consistente, mas enraizada) que
influencia a forma como percepcionamos os outros.

Estereótipo – categorização/atribuição de características a pessoas/grupos
com base em ideias pré-concebidas, fruto de uma padronização/generalização.

Tolerância – apesar de uma primeira análise remeter para a aceitação do
outro na sua plenitude, o termo pode ter uma leitura mais negativa.
Efectivamente, tolerar, poderá remeter para um exercício difícil de
convivência com o outro, sem reconhecimento do outro.



SOCIEDADES MULTICULTURAIS / SOCIEDADES INTERCULTURAIS

Ambas defendem o reconhecimento da cultura, mas de diferentes formas.

O multiculturalismo coloca a cultura em caixas fechadas onde cada um é obrigado a identificar-se.

Interculturalismo:

-   Visão das culturas como não estanques, nem fechadas.

-    Necessidade de permanente diálogo e partilha entre os indivíduos

-    Reflexão sobre o que se chama “cultura”: reconhecimento da diversidade dentro de cada cultura

-     Plataforma de entendimento comum que permita o diálogo e o processo de negociação

Papel da escola: ligação entre o multicultural e o intercultural




POLÍTICA DE ASSIMILAÇÃO / POLÍTICA DE INTEGRAÇÃO


Assimilação e integração são conceitos, à partida, polémicos. Entretanto, na prática quotidiana e na linha pedagógica da EB1 da Madalena [como caso concreto] - em que 60% dos alunos são estrangeiros - assumem um sentido muito específico, que se prende com um grande respeito pelos diferentes costumes e a aceitação mútua.

A integração é considerada como um processo não unilateral, em que a transformação é mútua, se dá e recebe e há uma partilha de experiências.

A assimilação engloba um conhecimento e aceitação das normas da comunidade (mas que passa pela consideração dos costumes de cada comunidade presente). Uma aquisição das necessárias competências linguísticas.


No debate geral subsequente à apresentação da síntese deste grupo, levantaram-se questões relativas à importância da língua em outras dimensões que não a da comunicação (e os problemas socioculturais que isso envolve). Foi, por outro lado, sublinhada a ideia de que as culturas são dinâmicas, e não entidades estáticas.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

2º Encontro do grupo para a Escola Intercultural

SPGL, 14-11-2011


Conforme definido no 1º encontro (6/9/2011), o 2º encontro desenvolveu-se em dois tempos:
      Blog: Apresentação de um primeiro esboço de um blog para divulgação e troca de experiências.
    Debate em torno do(s) conceito(s) de interculturalidade. 
Blog
- Aprovada a ideia geral do blog, com algumas sugestões para o seu melhoramento.
- Criação de itens/mini-aplicações (em ligação, nomeadamente, com grupos de trabalho que vão sendo criados):
    . partilha/divulgação de experiências;
    . partilha/divulgação de materiais;
    . debates em torno da inter-culturalidade;
    . divulgação de textos produzidos pelo grupo (ou grupos específicos criados no quadro do grupo para a Escola Intercultural);
    . informação básica sobre o grupo;
    . links para materiais existentes on-line;
    . links para projectos escolas/associações/instituições.

Debate
O debate decorreu de acordo com o proposto para a sua dinamização, com a formação de pequenos grupos em torno dos seguintes conceitos:
·        Minorias/Maiorias/Eurocentrismo
·        Preconceito/Estereótipo/Tolerância
·        Sociedades multiculturais/Sociedades interculturais
·        Política de assimilação/Política de integração
Cada grupo procurou analisar cada conjunto de conceitos e transmitiu aos restantes participantes as conclusões, seguindo-se um breve debate.
(Dois dos conceitos anteriormente propostos – Racismo / Xenofobia / Xenofilia / Anti-semitismo / Discriminação; Migrante / Imigrante / Refugiado / Candidato a asilo / Deslocado - não chegaram a ser trabalhados neste encontro).
As sínteses desses debates serão divulgadas no blog.
Materiais distribuídos:
    - “Conceito de Educação Intercultural” de Luísa Cortesão e Natércia Pacheco;
    - “Todos diferentes, Todos Iguais” – Resumo do Kit Pedagógico, contendo ideias, recursos, métodos e actividades para uma educação intercultural informal para jovens e adultos. Coordenado pelo Centro Europeu da Juventude.
    - “O racismo” – Excertos do livro de Albert Memmi, sobre conceitos do racismo
    - As Identidades Assassinas de Amin Maalouf – Excertos do livro, sobre o conceito de identidade e o conceito de humanidade como sendo uma só;
    - Excerto do texto apresentado por Mia Couto na Associação Moçambicana de Economistas em 2003 sobre conceito de africanidade.

   

Participantes deste encontro:
Escolas: E.B.1 da Madalena, Agrupamento de Escolas Gil Vicente; Escola Secundária Fernão Mendes Pinto; Escola Secundária (com 3º ciclo) Gama Barros, Sintra; EB 2,3 Bairro Padre Cruz; Escola Secundária Gama Barros, Cacém; Escola Secundária da Amadora.
Entidades: Programa Escolhas; SOS Racismo.

CONTINUIDADE DO TRABALHO:  
    Próxima reunião: Janeiro de 2012, no SPGL.
      - Partilha de experiências. Criação de um grupo de trabalho para compilação de experiências/práticas diversas de interculturalidade.
      - Convite à participação de um(a) especialista na área, para promover um debate centrado no diagnóstico da realidade actual no nosso país no que respeita à interculturalidade (propostas: Sandra Mateus, ISCTE, a ser contactada por SOS Racismo e/ou Programa Escolhas; Luísa Cortesão).